
"Ai senhor das furnas
Que escuro vai dentro de nós
Rezar o terço ao fim da tarde
Só para espantar a solidão
Rogar a deus que nos guarde
Confiar-lhe o destino na mão
Que adianta saber as marés
Os frutos e as sementeiras
Tratar por tu os ofícios
Entender o suão e os animais
Falar o dialecto da terra
Conhecer-lhe o corpo pelos sinais
E do resto entender mal
Soletrar assinar em cruz
Não ver os vultos furtivos
Que nos tramam por trás da luz
Ai senhor das furnas
Que escuro vai dentro de nós
A gente morre logo ao nascer
Com olhos rasos de lezíria
De boca em boca passar o saber
Com os provérbios que ficam na gíria
De que nos vale esta pureza
Sem ler fica-se pederneira
Agita-se a solidão cá no fundo
Fica-se sentado à solteiro
A ouvir os ruídos do mundo
E a entende-los à nossa maneira
Carregar a superstição
De ser pequeno ser ninguém
E não quebrar a tradição
Que dos nossos avós já vem"
Ruio Veloso - " A gente não lê"
Como ainda não tinha feito nenhum post às minhas meninas decidi fazê-lo hoje, por tudo...por tudo o que passamos juntas e por tudo o que continuaremos a passar, embora com o grupo já crescidito vocês são para sempre... GOSTO MUITO DE VOCÊS e sinto muitas saudades dos nossos velhos tempos, de toda a nossa diversão e de todas as nossas saídas... sinto a vossa falta quando estou por lá!!! beijinhos pa todas